Fezes esverdeadas significam baixa ingestão de leite posterior?

Fezes esverdeadas significam baixa ingestão de leite posterior? O assunto de hoje é… cocô! Leia até o final, e não esqueça do mantra que a gente adora: só é um problema quando é um problema! Continuando a discussão sobre leite anterior e leite posterior: muitas vezes se diz que quando os bebês amamentados têm fezes […]

Fezes esverdeadas significam baixa ingestão de leite posterior? O assunto de hoje é… cocô! Leia até o final, e não esqueça do mantra que a gente adora: só é um problema quando é um problema!

Continuando a discussão sobre leite anterior e leite posterior: muitas vezes se diz que quando os bebês amamentados têm fezes verdes é porque não estão recebendo leite posterior suficiente. Quão precisa é esta afirmação?

Primeiro, vamos mudar a questão. Como o “leite posterior” não é um tipo distinto de leite, vamos perguntar “bebês com fezes verdes estão recebendo gordura suficiente?”

A resposta, deixamos por conta da Dra. Jenny Peelen Thomas (Dr. Jen 4 Kids: Breastfeeding Medicine), com a tradução da Gabrielle Costa de Gimenez.

“Depende não apenas da gordura que o bebê está recebendo, mas da concentração de lactose, do tamanho da mamada e da velocidade com que o estômago se esvazia. O tamanho da mamada é importante porque quanto mais longa, mais rápido o estômago esvazia. A velocidade de esvaziamento estomacal, ou gástrica, influencia a forma como o leite é digerido e enviado para o intestino delgado. Isso geralmente é feito a uma taxa controlada, mas diferentes componentes do leite podem alterar a velocidade do esvaziamento gástrico.

A lactose faz com que o estômago esvazie mais rápido, mas apenas se o volume da mamada for grande. Baixas quantidades de lactose retardam o esvaziamento do estômago.

Vamos juntar tudo isso em um cenário. Se temos uma mamada de alto volume de uma mãe que tem muito leite, obtemos lactose mas não muita gordura. Isso significa que temos o esvaziamento rápido do estômago. O intestino delgado pode ter um problema com toda a lactose que está sendo entregue rapidamente. Se essa lactose não é toda quebrada em suas partes componentes pela enzima projetada para fazer isso, a lactase, muita lactose entrará no intestino grosso onde lactobacilos e bifidobactérias podem quebrá-la produzindo ácido láctico e hidrogênio. Usamos ‘testes de hidrogênio no ar expirado’ para verificar a intolerância à lactose causada pela falta da enzima lactase.

No entanto, no nosso caso, a deficiência de lactase foi resultado da velocidade com que o alimento foi para o intestino delgado, onde podemos não ter tido lactase suficiente para quebrar toda a lactose liberada rapidamente; portanto, não é uma verdadeira intolerância. O fenômeno é freqüentemente chamado de ‘sobrecarga de lactose’. A produção rápida de hidrogênio, um gás, estica o cólon, fazendo com que o bebê tenha gases e dor. A água vai para o cólon por causa da alta carga de açúcar que, por sua vez, causa fezes líquidas, e o ácido láctico frequentemente causa assaduras. Como a alimentação não tem muita gordura, não há saciedade ou coma de leite. O bebê pode estar muito irritado e pode sempre parecer com fome.

Nosso cenário não é muito comum. Isso acontece apenas em crianças recebendo muito leite muito rapidamente, como em casos de hiperlactação com ou sem reflexo de ejeção de leite agressivo.

Assim, as fezes verdes não são o único sintoma de ‘não receber suficiente gordura’. Um bebê que não está recebendo suficiente gordura é ranço, gasoso, mostra poucos sinais de estar satisfeito e, provavelmente, tem assaduras, fezes verdes e líquidas. Esses bebês precisam ver alguém com conhecimento sobre amamentação. Outros bebês com fezes verdes só têm fezes verdes mesmo.”